31 de mar de 2011

"O mundo atual necessita de santos como Santo Afonso", afirma o Papa


Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Bento XVI ressaltou que o mundo atual necessita de Santos e doutores, como Santo Afonso Maria de Ligório, que proponham a mensagem de Cristo de maneira singela e incisiva, que também sejam capazes de viver o caminho da conversão pessoal com alegria.

Sobre este Bispo e Doutor da Igreja nascido em Nápoles em 1696 que exerceu de maneira brilhante a profissão de advogado, a qual abandonou em 1726 para ordenar-se sacerdote, o Papa disse que "iniciou nos ambientes mais humildes da sociedade napolitana um trabalho de evangelização e de catequese, aos quais gostava de pregar, instruindo sobre as verdades fundamentais da fé".

Em 1732 fundou a Congregação religiosa do Santíssimo Redentor(Redentoristas). Seus membros "guiados por Afonso, foram autênticos missionários itinerantes, que chegavam inclusive às aldeias mais remotas, exortando à conversão e à perseverança na vida cristã, especialmente através da oração".

Bento XVI recordou que São Afonso faleceu em 1787, foi canonizado em 1839 e em 1871 foi declarado doutor da Igreja. Este título responde a muitas razões. Em primeiro lugar, porque propôs um rico ensinamento de teologia moral, que expressa adequadamente a doutrina católica, por isso foi proclamado pelo Papa Pio XII "Patrono de todos os confessores e moralistas".

"Santo Alfonso não se cansava de repetir que os sacerdotes são um sinal visível da misericórdia infinita de Deus, que perdoa e ilumina a mente e o coração do pecador para que se converta e mude de vida".

"Em nossa época -continuou o Santo Padre- onde há claros sinais de perda da consciência e moral e –é preciso admiti-lo com preocupação- de uma falta de estima pelo Sacramento da Confissão, o ensinamento de Santo Afonso segue sendo muito atual".

Logo em seguida ele explicou que "junto com as obras de teologia, Santo Afonso compôs muitos outros escritos, destinados à formação religiosa do povo", como "As máximas eternas", "As glórias de Maria", "A prática do amor a Jesus Cristo", obra -esta última- que representa a síntese de seu pensamento e sua obra prima".

Depois de ressaltar que o Santo "insiste muito na necessidade da oração", o Papa disse que "entre as formas de oração recomendadas por Santo Afonso destaca a visita ao Santíssimo Sacramento ou, como diríamos hoje, a adoração breve ou prolongada, pessoal ou comunitária, perante a Eucaristia".

"A espiritualidade afonsiana é eminentemente cristológica, centrada em Cristo e seu Evangelho. A meditação sobre o mistério da Encarnação e da Paixão do Senhor é com freqüência objeto de sua predicação. A piedade afonsiana também é eminentemente Mariana. Era muito devoto de Maria, e ilustra seu papel na história da salvação".

"Santo Afonso Maria de Ligório -disse o Papa- é um exemplo de pastor entregue, que conquistou as almas mediante a predicação do Evangelho e da administração dos sacramentos, junto com um modo de atuar apoiado em uma bondade suave, que nascia de uma intensa relação com Deus, bondade infinita".

"Tinha uma visão muito otimista dos recursos de bem que o Senhor dá a cada ser humano e deu importância aos afetos e sentimentos do coração, assim como a mente, para poder amar a Deus e ao próximo", concluiu.

28 de mar de 2011

Deus toca o coração do homem e espera paciente sua resposta


No Ângelus dominical o Papa Bento XVI ressaltou que "a onipotência do Amor de Deus respeita sempre a liberdade do homem; toca o seu coração e espera pacientemente pela sua resposta".

"O cansaço de Jesus, sinal de sua verdadeira humanidade, pode ser visto como um prelúdio de sua paixão, com a qual nos realizou em plenitude a obra de nossa redenção", disse o Santo Padre ao meditar sobre o Evangelho, em que se narra o encontro de Cristo com a samaritana que vai ao poço a recolher água.

O Papa afirmou que "no encontro com a samaritana no poço, surge o tema da 'sede' de Cristo, que culmina no grito na cruz: 'Tenho sede'. Certamente esta sede, como o cansaço, tem uma fase física. Mas Jesus, como diz Santo Agostinho, 'tinha sede da fé daquela mulher', como da fé de todos nós".

"Deus Pai enviou Cristo para saciar nossa sede de vida eterna, dando-nos seu amor, mas para fazer este dom, Jesus pede nossa fé. A onipotência do Amor respeita sempre a liberdade do homem: toca à porta do seu coração e espera com paciência sua resposta".

O Pontífice refletiu sobre os símbolos presentes no encontro com a samaritana: "a água, alude claramente ao sacramento do Batismo, fonte de vida nova para a fé na Graça de Deus. Esta água representa o Espírito Santo, o 'dom' por excelência que Jesus veio nos dar de parte de Deus Pai. Quem renasce da água e do Espírito Santo entra em uma relação real com Deus, uma relação filial".

Bento XVI convidou a cada um de nós a colocar-se no lugar da mulher samaritana: "Jesus espera por nós, especialmente neste tempo quaresmal, para falar ao nosso coração, ao meu coração", disse. "Detenhamo-nos, em um momento em silêncio, em nosso quarto, em uma igreja ou em outro lugar retirado. Escutemos sua voz, que nos diz: ‘Se tu conhecesses o dom de Deus'", concluiu, convidando a "não perder esta oportunidade, da qual depende a nossa autêntica felicidade".

"Que a Virgem Maria nos ajude a que não faltemos a este encontro, do qual depende nossa verdadeira felicidade", concluiu.

26 de mar de 2011


Vivemos em um mundo que busca a fuga de tudo o que faz sofrer.
Jesus sofreu por nós, então é também justo que soframos algo por Ele.
Pela cruz,  podemos como que tocar o mistério de Jesus. A cruz é o sinal da graça.
Neste tempo de Quaresma vamos percorrer o caminho interior. É uma oportunidade para levantar-nos e recomeçar. Viver este amor, anunciá-lo e testemunhá-lo com nossa vida.
Ainda é tempo.
Quem não ama, não conhece Deus.
Deixemo-nos encontrar por Cristo.
Sim, abri o vosso coração a Deus, e deixai-vos surpreender por Ele!

25 de mar de 2011

É preciso amar a Sagrada Escritura


O Papa Bento XVI recordou nesta quarta-feira a importância de "amar a Sagrada Escritura" e "crescer na familiaridade com ela", aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.

O Santo Padre quis introduzir hoje a figura de São Lourenço de Brindes, retomando assim o seu ciclo de Doutores da Igreja, interrompido com o início da Quaresma.
Deste santo italiano, o Pontífice destacou sobretudo seu "grande amor pela Sagrada Escritura, que ele conhecia de memória", assim como sua convicção "de que a escuta e o acolhimento da palavra de Deus produzem uma transformação interior que nos conduz à santidade".

"A Palavra do Senhor - citou o Papa, dos escritos do santo - é luz do intelecto e fogo para a vontade, para que o homem possa conhecer e amar a Deus. Para o homem interior, que, por meio da graça, vive do Espírito Santo, é pão e água, mas pão doce como o de mel e água melhor do que o vinho e o leite. (...) É um martelo contra um coração duramente obstinado nos vícios. É uma espada contra a carne, o mundo e o demônio, para destruir todo pecado".

São Lourenço de Brindes "nos ensina a amar as Sagradas Escrituras, a crescer na familiaridade com ela, a cultivar cotidianamente a relação de amizade com o Senhor na oração, para que todas as nossas ações, toda a nossa atividade tenham n'Ele seu começo e seu cumprimento".

"Esta é a fonte à qual recorrer para que o nosso testemunho cristão seja luminoso e capaz de conduzir os homens do nosso tempo a Deus", acrescentou.

Este insigne teólogo nasceu em Brindes (Itália) em 1559 e, ainda muito jovem, entrou na Ordem dos Capuchinhos. Foi um homem de grande cultura, que dominava vários idiomas, assim como línguas antigas (grego, hebraico, siríaco).

Graças a isso e ao seu conhecimento da literatura rabínica e dos Padres da Igreja, Lourenço "foi capaz de realizar um intenso apostolado, com diversas categorias de pessoas", incluindo o diálogo com os judeus e os seguidores de Lutero.

"Em sua apresentação clara e tranquila, mostrava o fundamento bíblico e patrístico de todos os artigos de fé postos em discussão por Martinho Lutero. Entre eles, o primado de Pedro e de seus sucessores, a origem divina do episcopado, a justificação como transformação interior do homem, a necessidade das boas obras para a salvação."

"O êxito de Lourenço nos ajuda a compreender que, também hoje, levar adiante o diálogo ecumênico com tanta esperança e a confrontação com as Sagradas Escrituras, lidas segundo Tradição da Igreja, são parte irrenunciável e de fundamental importância", acrescentou o Papa.

O Papa também falou de São Lourenço como modelo de apóstolo, afirmando que, "também
hoje, a nova evangelização tem necessidade de apóstolos bem preparados, com zelo e coragem".

Este testemunho, disse, é necessário "para que a luz e a beleza do Evangelho prevaleçam sobre as tendências culturais do relativismo ético e da indiferença religiosa, e transformem os modos de pensar e agir em um autêntico humanismo cristão".

Em meio a tantos trabalhos, "cultivou uma vida espiritual de fervor excepcional, dedicando muito tempo à oração e, especialmente, à celebração da Santa Missa".

"Na escola dos santos, cada sacerdote, como muitas vezes se sublinhou durante o recente Ano Sacerdotal, pode evitar o perigo do ativismo, de agir esquecendo das motivações profundas do ministério, somente se cuidar de própria vida interior", sublinhou o Pontífice.

Rezar, explicou, "é o primeiro serviço a prestar à comunidade. Por isso, os momentos de oração devem ser, na nossa vida, uma verdadeira prioridade. (...) Mas se não estivermos em comunhão com Deus, nada poderemos dar também aos outros. Por isso, Deus é a primeira prioridade".

Por último, destacou o trabalho do santo em favor da paz, recordando que lhe foram repetidamente confiadas "importantes missões diplomáticas para resolver controvérsias e promover a concórdia entre os Estados europeus, naquele momento ameaçados pelo Império Otomano".

"Hoje, como nos tempos de São Lourenço, o mundo precisa de homens e mulheres pacíficos e pacificadores. Todos os que creem em Deus devem ser sempre fontes e construtores de paz", concluiu o Papa.

A Anunciação...

Ao despontar do sol nas primeiras horas da alvorada, a voz do bronze do alto campanário, das nossas Igrejas segreda aos ouvidos dos cristãos: “O Anjo do Senhor anunciou a Maria, e ela concebeu do Espírito Santo”. Os fiéis batem no peito e seus lábios murmuram: “Ave Maria”.

Quando o sol no seu máximo esplendor alcança o zenith, os sinos repicam jubilosamente: “Maria disse: "Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim, segundo a Vossa Palavra”. Os homens descobrem-se e saúdam a humilde Virgem: “Ave Maria!”

A noite desce, o sol, a descambar no horizonte além, com os seus últimos raios purpúreos, clareia apenas os cimos altaneiros das montanhas, do alto das torres ecoam as vozes de bronze que, suavemente, respeitosamente e alegremente anunciam ao mundo admirado: “E o Verbo se fez homem e habitou entre nós”. Milhares de joelhos dobrados saúdam a humilde Virgem de Nazareth, adoram o Filho de Deus, feito homem no seio da Virgem por Amor de nós: “Ave Maria!”

Hoje é o grande dia em que se operam estes admiráveis e incompreensíveis mistérios. Hoje o seio puríssimo da Virgem transformou-se em sacrário vivo de Deus Filho. O seio da Virgem fez-se hoje o primeiro tabernáculo do Homem-Deus! O seio imaculado da Virgem tornou-se altar sacrossanto sobre o qual se formaram os membros humanos de Deus humanado: Ave! Cheia de Graça! Ave! O Senhor é convosco, como nunca esteve e nunca estará com criatura alguma! Ave! O Senhor está convosco em vós vive, em vós ora, em vós sente, em vós adora e imola-se em vós: Ave! Ó Bendita entre as mulheres! Ave! Ó Senhora das Senhoras, Ave! Ó Rainha do Mundo: Ave! Ó Mãe do Altíssimo!

Maria disse: “Fiat” - Faça-se em mim segundo a vossa palavra – e tornou-se Mãe de Deus. O Filho de Deus desceu neste momento do céu e formou seu corpo humano do sangue puríssimo da castíssima Virgem e encerrou-se no seio imaculado da humilde Virgem de Nazareth.

Ó Mistério Adorável! Mistério incompreensível de bondade e condescendência de um Deus! Mistério insondável da elevação de uma criatura!

Deus tornou-se Homem e a Virgem tornou-se Mãe do Criador!

Maria ajoelha-se, Maria adora em si o seu Criador e Senhor. Ela olha para si com respeito, com temor, bem como os Anjos com reverência profunda olham para o trono de Deus.

Ela é mais venerável do que o Templo de Jerusalém, mais sagrada que aquele altar, mais santa do que o Trono de Deus, pois é o Trono Vivo de Deus Vivo. Ela anda como se anda na Procissão do Santíssimo, todo o seu sentir, o seu pensar, todo o seu viver concentra-se no Bendito Fruto do Vosso Ventre.

Poderá alguém perscrutar o que a Santíssima Virgem sentiu em todo esse tempo sagrado? Não! Impossível desvendar esses mistérios!

Nós ajoelhamos diante da Santíssima Virgem para com ela e nela adorar aquele que é nosso Deus e Senhor.

Adoração, louvor e agradecimentos sejam dados a vós, ó Deus humanado, pelos Anjos e Santos por toda a eternidade. Quanto mais meditamos sobre este adorável mistério, menos o compreendemos. É obra divina. Da mesma forma, quanto mais meditamos sobre este outro mistério análogo: O FILHO DE DEUS REPOUSA EM NÓS pela Santa Comunhão, tanto menos o compreendemos. Meu Deus será verdade? Vós, o Todo Poderoso, o Infinito, o Imenso no meu coração?

Eu, um templo de Deus humanado? Meu peito um tabernáculo vivo do Altíssimo?

É verdade, é uma realidade! O Anjo da Guarda, antes de pé, está agora prostrado de joelhos ao meu lado, adorando em mim seu Deus e Senhor!

Quando me levo da Mesa Sagrada, os fiéis podem dobrar os seus joelhos diante de mim, como dobram diante do altar, porque meu Deus e Senhor está verdadeiramente em mim.

Ó meu Jesus, tremo pensando nesta minha indignidade. Santo temor apodera-se de mim. Vós em mim e eu em vós! Ó bondade infinita! Ó condescendência incompreensível de um Deus! O Verbo se fez Homem e o Homem-Deus se fez Hóstia e habita em mim!

Eu vos adoro, meu Jesus e desejo adorar-vos, louvar-vos, e amar-vos como vos amou, louvou e adorou, agradeceu à Virgem quando escolhestes o seu puríssimo seio para o vosso trono.

Ofereço-vos as Suas adorações e o Seu Amor, para vos agradecer a vossa infinita bondade de habitar em mim pela Santa Comunhão. Guardai intacto este coração, este peito do qual fizeste o vosso altar, o vosso tabernáculo, conservai-o puro, santo, imaculado, por toda a eternidade.

RESOLUÇÃO: Jamais esquecer que meu corpo é o templo de Jesus - Hóstia. Oferecerei durante esta semana as minhas Comunhões, para agradecer a Deus a ter escolhido Maria Santíssima, para ser a MÃE DE DEUS!

Texto extraído do livro: Leituras Eucarísticas de 1935 – Ed. Vozes Frei Mariano Wentzen

21 de mar de 2011

Jesus é a única e verdadeira morada do cristão


No Ângelus deste domingo o Papa Bento XVI afirmou que o mistério da Transfiguração de Cristo é a revelação de sua própria divindade e que só Ele é a única verdadeira morada do cristão.

O Papa Agradeceu ao Senhor pelos seus exercícios espirituais e também a quantos estiveram próximos com a oração.

Refletindo sobre o Evangelho da Transfiguração do Senhor, Bento XVI disse que: "segundo os sentidos, a luz do sol é a mais intensa que se conhece na natureza, mas segundo o espírito, os discípulos viram, por um breve tempo, um esplendor ainda mais intenso, o da glória divina de Jesus, que ilumina toda a história da salvação".

Citando a São Máximo Confessor, o Santo Padre indicou que "os vestidos mudando sua cor ao branco, levam o símbolo das palavras da Sagrada Escritura, que se tornam claras, transparentes e luminosas".

"Moisés e Elias, que aparecem junto a Jesus transfigurado, são figura da Lei e dos Profetas. Foi então que Pedro exclamou: 'Senhor, que bonito é estar aqui. Façamos três tendas, uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias'. Mas Santo Agostinho comenta que nós temos uma só morada: Cristo; Ele é a Palavra de Deus, Palavra de Deus na Lei, Palavra de Deus nos Profetas".

"A transfiguração -continuou- não é uma mudança de Jesus, mas a revelação de sua divindade, 'a íntima compenetração de seu ser com Deus, que se torna pura luz. Em seu ser um com o Pai, Jesus mesmo é Luz da Luz'".

Mais adiante ressaltou que "contemplando a divindade do Senhor, Pedro, Tiago e João, são preparados para confrontar o escândalo da cruz. 'No monte te transfiguraste e teus discípulos, dentro de sua capacidade, contemplaram sua glória, para que, ao verte crucificado, compreendessem que sua paixão era voluntária e anunciassem ao mundo que tu és verdadeiramente o esplendor do Pai".

"Participemos também nós desta visão e deste dom sobrenatural, dando lugar à oração e à escuta da Palavra de Deus, especialmente neste tempo de Quaresma".

"Exorto-vos, como escreve o Servo de Deus Paulo VI, 'a responder ao preceito divino da penitência com atos voluntários, além das renúncias impostas pelo peso da vida cotidiana'", concluiu o Papa.

20 de mar de 2011

Contemplativos na vida quotidiana...


"E transfigurou-Se diante deles. E o Seu rosto ficou refulgente como o Sol, e as Suas vestes tornaram-se brancas como a neve.” (Mt 17, 2)

“Nunca compartilharei a opinião - ainda que a respeite - dos que separam a oração da vida ativa, como se fossem incompatíveis. Os filhos de Deus têm de ser contemplativos: pessoas que, no meio do fragor da multidão, sabem encontrar o silêncio da alma em colóquio permanente com Nosso Senhor: e olhá-lo como se olha um Pai, como se olha um Amigo, a quem se quer com loucura.

A nossa condição de filhos de Deus levar-nos-á - insisto - a ter espírito contemplativo no meio de todas as atividades humanas - luz, sal e levedura, pela oração, pela mortificação, pela cultura religiosa e profissional -, fazendo realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estivermos, tanto mais temos de ser de Deus.

Convencei-vos de que não se torna difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Basta oferecê-lo a Deus e meter mãos à obra, pois Ele já nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos o modo de ser das almas contemplativas, porque nos invade a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de terminar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço.

Se te decidires - sem fazer coisas esquisitas, sem abandonar o mundo, no meio das tuas ocupações habituais - a entrar por estes caminhos de contemplação, sentirás imediatamente amigo do Mestre e com o encargo divino de abrir os caminhos divinos da terra a toda a humanidade. Sim, com esse teu trabalho contribuirás para que se estenda o reinado de... Que valor adquire então essa hora de trabalho, esse continuar com o mesmo empenho durante um pouco mais de tempo, alguns minutos mais, até rematar a tarefa. Convertes assim, de um modo prático e simples, a contemplação em apostolado, como necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Nosso Senhor.

(Fonte: "Forja" e Amigos de Deus" de São José Maria Escrivá)

19 de mar de 2011

“Ide a José e encontrareis Jesus”

“Ama muito S. José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais o amou, depois da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus.”

“José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não deixeis nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase tomada do Antigo Testamento.

Mestre da vida interior, trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Joseph. Com S. José o cristão aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Ide a José e encontrareis Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré.

A Igreja inteira reconhece S. José como seu protetor e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.

São José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem.”

(Fonte: “Forja” e “Cristo que passa” – São Josemaria Escrivá)